A obra de Judith Butler para entender os discursos de ódio contra ela

A obra de Judith Butler para entender os discursos de ódio contra ela
novembro 08 07:47 2017 Imprimir este Artigo

IHU – ADITAL – 08 Novembro 2017

Quando, em 1997, a filósofa Judith Butler publicou Excitable Speech: A Politics of the Performative, ainda estava desdobrando algumas ideias centrais discutidas em Gender Trouble (1990), traduzido por Problemas de gênero apenas em 2003. Desde então, a produção intelectual da autora se deu em função de debates surgidos a partir de propostas apresentadas no seu primeiro livro. Foi assim com Bodies that’s Matter (1993), com The Psychic Life of Power: Theories in Subjection (1997) – cuja tradução brasileira chega em breve às livrarias pela editora Autêntica como A vida psíquica do poder: teorias da sujeição –, e com Excitable Speech, ainda sem edição brasileira. Suas ideias nesse livro são de grande ajuda para a compreensão do que consiste os discursos de ódio usados contra ela neste momento no Brasil.

A reportagem é de C. Rodrigues, S. Castro, M. Pisani, F. Oliveira, P. Carvalho, V. Wilke e I. Johanson, publicada por El País, 07-11-2017.

No livro, Butler reúne a todos esses problemas de gênero uma certa tomada de posição no campo político norte-americano. Na análise que faz sobre como os discursos de ódio se tornam injúrias capazes de alterar o estatuto social do sujeito, Butler está pensando também no método político de grupos extremistas, cuja atuação só fez crescer desde então. Passados 20 anos da edição de Excitable Speech, o discurso de ódio que ela havia analisado na sociedade norte-americana chegou ao Brasil, principalmente no campo moral. Para ela, trata-se de perceber que o ódio faz coisas com palavras, configura sujeitos como abjetos, e coloca em questão aquilo que se está enfrentando diante dos discursos de ódio que pretendem impedir a realização de um colóquio acadêmico: qual é a força da violência verbal, da injúria, das palavras que agridem, das representações que ofendem, e como compreender suas linhas de fuga?

O tema do performativo acompanha a obra de Butler e reaparece em livro recente, Notes toward a performative theory of assembly (original de 2015, previsão de edição brasileira em 2018), em que Butler propõe pensar como performativas diferentes formas de ação política contemporâneas. Aqui, suas proposições sobre a precariedade dos corpos se encontram com os atos de fala políticos e performativos para pensar as formas de fazer política na contemporaneidade. A filósofa está tomando as manifestações de rua, as ocupações das praças e as mobilizações populares como signos dos acontecimentos políticos globais mais recentes para fazer duas perguntas que cabem ao contexto político brasileiro: “Quem é o povo, afinal?” e “a que operações de poder discursivo se circunscreve ‘o povo’ em determinadas circunstâncias e com que propósitos?” São questões que inspiram o colóquio Os fins da democracia, organizado pela Universidade de Berkeley e pela USP, cujo subtítulo é “Estratégias Populistas, Ceticismo sobre a Democracia e a Busca por Soberania Popular.”

Trata-se de repensar a política como espaço de reconstrução do conceito de comum, e não como sustentação de diferenças identitárias conciliáveis pela via da tolerância, tema em debate desde Gender Trouble, quando a filósofa estava se valendo da noção de performatividade da linguagem para pensar a “subversão da identidade”, expressão que está no subtítulo do livro. Desde então era a performatividade que Butler estava se valendo para argumentar que nossos corpos fazem, produzem, operam aquilo que somos, ainda que tal performatividade não seja organizada a partir de uma dimensão de pura decisão individual. Butler postula o conceito de performatividade para descrever o modo através do qual certo tipo de comportamento é repetido reiteradamente até cristalizar e virar substância, isto é, até ter a aparência falsa de que esteve o tempo todo lá.

Na sua visão, não há sujeito antes de ação de citação de certos comportamentos, considerados normas e leis, mas o sujeito vai se formando na medida em que se põe em relação com as normas sociais, se tornando sujeitos masculinos ou sujeitos femininos. O controle social, feito desde cedo na família, na escola, no consultório médico, enquadra o sujeito de tal forma que a ele ou ela não parece haver escapatória senão aderir a certos marcadores de comportamento, como vestimenta, entonação de voz, gostos, atração sexual pela pessoa do sexo oposto, para produzir para si uma identidade coerente, reconhecida socialmente, que esteja de acordo com o que se espera do comportamento de gênero adequado a sua classe, estatuto social, cultura nacional, raça, e outros. A subversão paródica da performatividade de gênero desperta a consciência para a sua artificialidade original.

Apesar da heteronormatividade buscar enquadrar sexo, gênero, e desejo dentro de um só modelo, o corpo queer, aquele que não cabe no espaço público, denuncia que essa norma é criada por interesses de controle e poder alheios às múltiplas formas de expressar desejo, sexualidade e gênero. Esses mecanismos desestabilizam o pressuposto de identidade coerente e fixa forjada pela norma. Butler entende, como Foucault, que a lei e a norma são pilares incontornáveis de qualquer processo de construção de identidade, mas dá um passo além quando afirma que, se toda norma depende de sua repetição, então a possibilidade de subversão já está inscrita na própria norma.

Nesse sentido, trataria menos de uma disputa no campo do “gênero”, mas muito mais uma disputa no campo das produções dos corpos e dos discursos sobre eles: corpos medicalizados, corpos precarizados, corpos violados, corpos expulsos dos espaços públicos por meio de uma violência que aparece na sua produção/exclusão. Desta perspectiva analítica, os estudo de gênero reencontram – não pela via materialista clássica, mas sem abrir mão do materialismo –, sua articulação decisiva entre sexo-raça-classe na produção do corpo político.

Corpo e linguagem nos permitem fazer coisas com palavras, daí a importância de Excitable Speech para pensar o momento atual brasileiro, pautado por discursos de ódio que se inserem numa rodada de violência neocolonial, na produção de precariedade e nas massas de excluídos, de “crises” que justificam ações sobre os corpos, enfim, de toda a rede de sustentação da vida, incluindo a memória, conhecimento e a cultura. São formas de violência que chegaram às escolas e universidades e já ameaçam a liberdade de professores. Essa mordaça é parte da precarização da vida, como Butler já demonstrou, o que só reforça o valor do seu pensamento no momento político brasileiro.

IHU – ADITAL – 08 Novembro 2017 – Visita de Judith Butler ensina: ideologia de gênero e bruxas não existem

“Temos que buscar espaços sem censura e medo (…) A maior parte das pessoas que convivem comigo passa por um momento de angústia política. Temos dores na cabeça e no estômago. Isso acontece quando passamos a perder esperanças e começamos a viver a injustiça”, afirmou a filósofa norte-americana Judith Butler nesta terça-feira (7). Uma das principais pensadoras na atualidade em questões como gênero e ética, ela está em São Paulo, onde ministrou palestras ontem (6) e nessa terça-feira (07).

Coletivos como Pompeia Sem Medo organizaram vigília para assegurar debate. Foto e Fonte: Rede Brasil Atual – RBA.

A reportagem é de Gabriel Valery e publicada por Rede Brasil Atual – RBA, 07-11-2017.

Sua presença despertou a ira de setores conservadores e de fundamentalistas cristãos brasileiros, que chegaram a promover uma petição para tentar censurar a palestrante. Não tiveram sucesso. Na noite de ontem, Judith falou no auditório da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na Vila Mariana, zona sul da capital. Hoje, foi a vez do bairro da Pompeia, na zona oeste, receber no período da manhã a filósofa, na unidade local do Sesc.

Como esperado, os grupos que defendiam a censura compareceram à porta do Sesc. O resultado da perseguição foi o oposto. Coletivos em defesa da democracia também marcaram presença para garantir o debate, e compareceram em maior número. Enfim, o debate não só aconteceu como o previsto, como ganhou maior visibilidade. Auditórios lotados, milhares de espectadores via internet e centenas de pessoas escutaram Judith na calçada da rua Clélia, em frente à sede do Sesc Pompeia.

De um lado, antes da fala da filósofa, os presentes debateram, com um microfone aberto, os perigos da radicalização e do fundamentalismo. “Estamos vendo uma questão delicada, vivendo um período de censuras. Isso nos faz enxergar como a democracia está em risco. Esse movimento tem um objetivo político e fala sobre ‘ideologia de gênero’, o que não existe”, disse a antropóloga Jacqueline Moraes Teixeira.

“Esse movimento aproveitou a visita de Judith Butler para tentar impor sua agenda política, que vem sendo construída nos últimos tempos, como se viu na questão dos museus. Vivemos um conjunto de eventos que foi preparando para esse cenário trágico”, completou. A tragédia em questão ganhou fortes símbolos em meio aos conservadores. Eles carregavam crucifixos e bíblias, e queimaram uma boneca de bruxa com o rosto de Judith. “Queima no inferno, bruxa! Jesus tem poder”, diziam.

A voz de Judith

Em sua palestra, a filósofa afirmou que o “ódio vem do medo da diferença”. A pensadora possui uma carreira diversificada dentro das ciências sociais, e ganhou notoriedade por seus estudos sobre questões de gênero e feminismo, o que despertou o ódio que tentou censurá-la. Entretanto, o que esses movimentos talvez não soubessem é que o tema de suas palestras no Brasil nada tinha a ver com essas questões.

A pensadora veio ao Brasil para falar sobre sua mais nova obra: Caminhos Divergentes (2017), da editora Boitempo. No livro, Judith reúne conceitos judaicos e textos de pensadores palestinos para tentar encontrar formas de encerrar o conflito histórico na região. “O Estado de Israel não exemplifica o que as pessoas encontram no judaísmo, ao mesmo tempo, pode-se ler escritores palestinos para pensar com eles a dor do conflito e os futuros de uma coabitação”, disse.

O ponto central no livro é a proposição de uma coexistência pacífica entre os dois povos dentro do mesmo território. Um “Estado binacional”, como explicou. Isso para reverter injustiças promovidas pelo Estado israelense contra os palestinos. “Pode parecer estranho que escrevi um livro sobre o tema Israel e Palestina se você me conhece como pesquisadora de questões de gênero. Caminhos Divergentes é um livro que considero o que pode ser possível dentro da tradição judaica para estabelecer uma crítica ao Estado de Israel pela despossessão e subjugo do povo palestino desde sua fundação, em 1948”, disse.

Desde a formação do Estado israelense, mais de 5 milhões de palestinos foram expulsos de suas casas ou confinados em guetos modernos como Gaza. Judith, que é judia, argumenta que a crítica à política israelense nada tem de antissemita. “Alguns críticos suspeitam imediatamente: será que não é antissemita criticar o estado de Israel, pois ele representa o povo judeu? Talvez seja mais importante saber que muitos judeus que afirmam sua judaicidade não dão apoio ao Estado de Israel e não consideram que ele os represente. O motivo da crítica é que o Estado de Israel deveria ser democrático, tratando todos os cidadãos igualmente, independentemente de sua religião”, afirmou.

Os discursos da filósofa foram os mesmos ontem e hoje. Na Unifesp, ele foi acompanhado de uma apresentação da reitora da universidade, Soraya Smaili, também integrante do Instituto de Cultura Árabe, que trouxe Judith ao Brasil juntamente com a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade da Califórnia em Berkeley, o Sesc, e a revista CartaCapital. “Judith é conhecida por ser uma voz crítica e muito bem fundamentada em seus escritos. Como genuína pensadora, trata questões do contemporâneo com engajamento, diálogo, dentro e fora da academia, com uma boa dose de afeto e humanidade”, afirmou Soraya.

“Tornou-se extremamente conhecida por seus estudos de gênero, feminismo e teoria queer. Porém, é também uma voz ativa e engajada nas questões da violência e da injustiça social relativa às guerras, à transfobia, à tortura, à violência policial, ao antissemitismo e à discriminação racial de todos os tipos. Tem diversos livros publicados no Brasil, onde é particularmente querida e amada. Aqui, teremos a honra de ouvi-la falar sobre uma questão complexa do mundo contemporâneo, além de muito importante para a humanidade: a necessidade de uma convivência democrática radical entre israelenses e palestinos. Butler afirma que a judaicidade, em sua essência, está vinculada à justiça social e não à violência de Estado”, completou a reitora.

De fato, a filósofa usa como argumento, por exemplo, a Lei do Retorno de Israel, que permite aos judeus de todo o mundo cidadania no Estado israelense. Ela lembra que o país foi criado como um “santuário” para os refugiados judeus dos horrores do Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial para que o povo pudesse ter o direito à cidadania. Direito que, de acordo com a pensadora, é suprimido dos refugiados contemporâneos e dos palestinos. “Acreditamos que os refugiados precisam de um lar, um lugar de pertencimento, algo que Israel foi para os judeus. Agora, se aceitamos o argumento para um grupo, temos que aceitar para o outro. Nenhum grupo pode ser destituído de pertencimento e cidadania. Falamos isso sobre o povo judeu e também dos palestinos, sírios, e do grande número de pessoas despossuídas”, disse.

“Todo judeu pode pedir cidadania em Israel, sob a chamada Lei do Retorno. Mas a demanda palestina pelo retorno é negada por Israel. Então, um grupo de refugiados tem o direito de formar um Estado em terras palestinas e tirá-los de suas casas, enquanto outros não têm o direito de formar um Estado ou de ficar em suas terras. O conflito nasce desta contradição. Também significa que precisamos de uma política de refugiados consistente na região. Isso está na coabitação, em nos vermos como iguais, na dissolução do poder colonial e na abertura de cidadania dupla”, concluiu.

IHU – ADITAL – 07 Novembro 2017 – Judith Butler: “O ataque ao gênero emerge do medo das mudanças”.

Referência nos estudos de gênero e uma das mais importantes filósofas norte-americanas contemporâneas, Judith Butler, 61 anos, chega ao Brasil em meio a uma verdadeira guerra cultural centrada nas questões identitárias e de gênero no País.

A entrevista é de Tory Oliveira, publicada por CartaCapital, 07-11-2017.

Judith Butler: ‘o feminismo não é uma política identitária, mas também uma visão poderosa de liberdade e igualdade’ (Foto: Wikimedia Commoms)

O desembarque em terras tupiniquins acontece na esteira das discussões acerca do cancelamento da exposição QueerMuseu em Porto Alegre e das polêmicas envolvendo nudez no Museu de Arte de São Paulo e a mostra sobre sexualidade no MASP.

Acusada de promover a “ideologia de gênero“, uma de suas palestras tornou-se alvo de grupos conservadores, motivando uma petição online em que afirmam que a presença da autora em um “simpósio comunista” não seria “desejada pela esmagadora maioria da população nacional”. Em resposta, atos de apoio e um “cordão democrático” também foram convocados.

Apesar de hoje se debruçar também sobre questões como a violência de Estado e a democracia, além de ser uma expoente das críticas a Israel, Butler é mais conhecida do público por suas contribuições aos estudos de gênero, em especial, pela obra Problemas de Gênero (1990), em que desenvolve sua teoria da performatividade.

“O ataque ao gênero provavelmente emerge do medo a respeito de mudanças na família, no papel da mulher, na questão do aborto e das tecnologias para reprodução, direitos LGBTs e casamento homoafetivo”, elenca a doutora em Filosofia por Yale e professora do departamento de Literatura Comparada na Universidade da Califórnia, que também é de origem judia, lésbica e militante dos direitos LGBT.

Butler fará uma palestra em São Paulo e participará da organização do seminário Os fins da democracia, marcado para o Sesc Pompeia, entre 7 e 9 de novembro.

Sua fala nesta segunda-feira 6 se dará no Teatro Marcos Lindenberg, da Universidade Federal de São Paulo, e se centrará no livro Caminhos Divergentes: Judaicidade e crítica do sionismo, lançado neste ano pela editora Boitempo.

Em trecho da entrevista concedida a CartaCapital por e-mail, Judith Butler fala sobre a luta pela igualdade em suas diversas formas e sobre o temor que a questão de gênero ainda inspira. A íntegra da entrevista estará na edição 978.

Eis a entrevista.

CartaCapital: Como o feminismo e a questão Israel-Palestina se correlacionam em seu trabalho?

Judith Butler: Muitas vezes meu trabalho se relaciona com movimentos sociais. Eu tento entender o que está acontecendo e então ofereço uma visão teórica sobre o fato. Às vezes, isto serve como ponto de referência para aqueles que buscam refletir sobre suas posições políticas e sociais.

Talvez nós devamos adicionar o movimento queer a esta lista, assim como a minha filiação nas políticas anti-guerra. Para mim, a questão é por que é tão difícil para as pessoas viverem juntas em igualdade? O que é esta resistência à igualdade em si?

Claro, uma resposta é que os dominantes procuram manter essa posição, mas, ainda assim, é possível se perguntar: por que não é mais desejado viver em termos de igualdade uns com os outros? Por que algumas vidas são consideradas importantes e outras não?

O problema de como atingir a igualdade surge para mim de diferentes formas. Quem é passível de luto e quem não? Por que algumas vidas são valorizadas pela sociedade e outras não? Uma radical desigualdade ainda caracteriza as relações entre homens e mulheres e entre Israel e Palestina, e, apesar de não se tratar de uma analogia estrita, ainda podemos perguntar porque a igualdade é tão difícil de ser atingida. E como começar a entender a aversão à igualdade?

CC: No Brasil, conservadores radicais tem se mobilizado contra iniciativas de discussão de gênero, direitos LGBTQ e feminismo, que muitos entendem como parte de uma agenda de imposição da “ideologia de gênero”. Até mesmo sua conferência em São Paulo tornou-se alvo, com uma petição online alegando que “os brasileiros” não desejam sua presença em um “evento comunista”. Na sua opinião, por que o debate a respeito do gênero inspira tanto medo e desentendimentos?

JB: Talvez “gênero” seja uma palavra que nomeia a circunstância de mudança nas normas sociais. O ataque ao “gênero” provavelmente emerge do medo a respeito de mudanças na família, no papel da mulher, na questão do aborto e das tecnologias para reprodução, direitos LGBTs e casamento homoafetivo.

Para aqueles que acreditam que “homens” e “mulheres” são naturalmente dotados de traços que os levam necessariamente a participar de um casamento heterossexual e da formação de uma família, é desconcertante e, talvez, assustador perceber que algumas pessoas designadas ao nascer para as categorias “masculina” e “feminina” não desejem permanecer naquela categoria, ou que algumas mulheres não queiram ter filhos ou que algumas famílias sejam formadas por gays.

Todos esses elementos são desafiadores. Nunca me ocorreu que a conferência seja “comunista”, ainda que exista nela uma preocupação sobre formas de autoritarismo e aumento das condições de precariedade na economia. No entanto, não estou certa de que isso a qualifique como “comunista”.

CC: Ao mesmo tempo, há uma nova onda do feminismo surgindo no mundo todo. No Brasil, milhares de mulheres, em especial as jovens, estão engajando-se em movimentos de gênero e têm participado de manifestações públicas contra o sexismo, a favor da descriminalização do aborto e da visibilidade do feminismo negro. Qual é a sua visão sobre essa nova geração de mulheres mobilizadas?

JB: Acredito que essa nova mobilização feminista não vai parar, e que aqueles entre nós que são mais velhos aprenderão com as novas gerações, e que os esforços para suprimir os movimentos não serão fáceis, e que eventualmente falharão. Acho que a violência contra a a mulher é uma forte razão para mobilização, mas também é a diferença de renda, e as demandas por educação e igualdade.

O feminismo também tem sua própria crítica ao militarismo e ao autoritarismo, que em geral são formas masculinas de poder. Então, o feminismo não é uma política identitária, mas também uma visão poderosa de liberdade e igualdade.

FONTES:

http://www.ihu.unisinos.br/573432-a-obra-de-judith-butler-para-entender-os-discursos-de-odio-contra-ela

http://www.ihu.unisinos.br/573414-visita-de-judith-butler-ensina-ideologia-de-genero-e-bruxas-nao-existem

http://www.ihu.unisinos.br/573398-judith-butler-o-ataque-ao-genero-emerge-do-medo-das-mudancas